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Deutschland über alles

A imprensa está em choque com a intervenção de Schauble em BucarestePortugal estava a ser muito bem sucedido até ao novo Governo, disse o ministro alemão. À beira da discussão do OE português em Bruxelas e da medição dos resultados obtidos em 2016, o ministro volta a criar pressão pública. A táctica é velha, há um ano atrás fez o mesmo. Não se poderia esperar outra coisa deste cangalheiro da União Europeia.

Schauble confessa, aliás, ter dado um aviso a Centeno: Disse-lhe que se seguissem esse caminho iriam correr um grande risco e eu não correria esse risco. A Alemanha, que tem um enorme superavit na balança corrente desde 2013 às custas da crise dos parceiros europeus e ao arrepio das regras europeias, vem dar conselhos sobre como manter tudo igual para lhe assegurar essa vantagem… Tem a sua graça. Sob as ordens do ministro alemão, progressos enormes se fariam ainda para desmantelar funções sociais e privatizar outros activos.

Se Costa não fosse um político tão astuto, o destino nacional seria parecido ao dos gregos, não haja dúvidas. Este governo é bastante mais perigoso para os alemães que o de Tsipras. Apesar das suas dificuldades, está a implementar uma política alternativa, cumprindo os critérios insanos que a Alemanha, através de Bruxelas, impôs aos países da zona euro deprimidos economicamente. É o fim do TINA, se formos bem-sucedidos. E o poder alemão para impor a sua política aos restantes pode começar a ficar comprometido.

É natural que Schauble esteja sentido. Nos bons velhos tempos, esmagavam-se os gregos arrogantes e salvavam-se os humildes e obedientes, dando cobertura ao enorme insucesso do seu programa económico. Passos Coelho não cumpriu uma única meta e apresentou sucessivos orçamentos rectificativos. No entanto, em Bruxelas ou Berlim, dava para ouvir um alfinete a cair no chão, tal era o silêncio. O bom aluno, o país curvado sobre as orientações alemãs, parece agora uma coisa distante – que ingratidão!

Longo será o efeito da vacina que o terrorismo deste ministro representa para os europeus. Que futuro tem a ideia de construção europeia agora, quando nos recordamos destas imagens? Que cooperação de povos pode existir, se a experiência intergovernamental mais recente significou apenas a submissão de uns aos interesses de outros? Schauble tem nas mãos a morte desta UE. Mas não parece importar-se. Já sabemos que, para ele, é Deutschland über alles!

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