O tempo das tréguas

O texto foi publicado no Diário Económico (15 de Março de 2016)bruno_carapinha

Marcelo avançou para Belém contra a vontade dos líderes da direita portuguesa, que só lhe deram um apoio formal. É Presidente da República apesar deles, para lá deles.

Os partidos que contaram com a Presidência para regressar ao poder já esqueceram o desiderato. Marcelo não lhes deve nada. O novo Presidente usa a sua comunicação para chegar ao povo e ganhar na vida política portuguesa um peso superior ao que a Constituição lhe reserva.

A sua agenda não se confunde com o calendário de curto prazo de Passos Coelho. Marcelo gosta de ser amado. E há-de fazer por ser amado até ao ponto em que não precise nem do Governo nem da oposição para fazer
avançar um programa político.

Qualquer governo à frente de Portugal nesta fase teria uma vida difícil, fosse qual fosse a sua composição. Entre uma zona euro que não arranca, a desaceleração económica internacional e os desequilíbrios internos, uma política alternativa enfrenta desafios. Mas Belém precisa de um país pacificado e será, por agora, um aliado da estabilidade. Quem soube esperar 10 anos, sabe o que é a gestão do tempo em política. A hora de Marcelo só virá depois.

 

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