A MAAT faraónica

A Maat, no Egipto Antigo, era a divindade da rectidão, da verdade, da moral e da ordem, a força que derrotara o caos primordial. A Maat corporizava-se também na lei e no ordenamento que ela deveria permitir. Cabia ao faraó aplicar e até impor a lei, garantindo o equilíbrio cósmico, especialmente perante a corrupção e o poder excessivo dos poderosos.

A Maat não era portanto mero fruto do jogo das forças divinas. Os egípcios sabiam que a justiça das suas vidas dependia da acção humana. A difícil vida dos súbditos desta civilização agrária seria ainda mais dramática se assim não fosse.maat-nefertari-tomb

MAAT é hoje também o acrónimo do novo museu da EDP. O edifício parece fabuloso e o projecto implícito no novo museu é muito interessante. Num país que tenta encontrar a saída para a crise no aproveitamento do velho e da tradição para o turismo, mas também na inovação e na ideia de modernidade para a renovação económica, é o símbolo para um Portugal novo. Não surpreende por isso que o poder político se apressasse a fazer uma apropriação da abertura do novo museu, associando-se à iniciativa e fazendo louvores públicos ao mecenas.

Mas acaba por ser irónico ouvir Marcelo caracterizar a iniciativa como parte da responsabilidade social das empresas. O Presidente pode estar (e deveria estar) a estimular outros a ‘devolver à sociedade’ parte dos lucros obtidos. Mas este é o país com a electricidade mais cara da Europa. Apresentar este museu como uma benesse do sector que devíamos agradecer é dificilmente aceitável. O usufruto deste museu é uma mais-valia para os portugueses. Mas foram também os portugueses que custearam os 20 milhões de Euro gastos nesta obra e todos os lucros fabulosos da empresa entretanto privatizada e entregue ao capital chinês.

A negociação das altas rendas eléctricas do país, que tanto sobrecarregam os consumidores e a competitividade das empresas, nunca foi feita. A disciplina deste sector poderoso está por fazer. Os faraós ficaram conhecidos pelas suas grandes obras. Mas se a ideia é copiar o modelo antigo, valia a pena aplicar a Maat que verdadeiramente merecemos e precisamos.amanda-levete-maat-museum-lisbon-portugal-x1800

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