O ego de Cavaco

Cavaco falou. Lá da tumba de Belém ninguém lhe ouvira nada. Viu-se que a CAP continua a CAP, que o Ferraz da Costa continua o mesmo e que tudo o que era confederação patronal lá foi beber chá com ele. Sempre que Cavaco se mantém em silêncio tanto tempo, o país sabe que ou está a vender acções do BPN com o lucro que pagaremos ou está a alimentar uma crise política. Coisa boa não será.

A táctica é conhecida. Primeiro, um texto ou discurso demolidor; depois um silêncio completo. É sempre o mesmo modus operandi. Foi o que fez em 2011, com a queda de Sócrates, quando usou a tomada de posse para incitar ao derrube e depois se manteve calado quando se sabia do chumbo do PEC IV. Também em 2004, quando o ataque à má moeda governativa de Pedro Santana Lopes e a sua incubadora abriu portas à sua candidatura à Presidência da República. E agora, novamente, lançou o anátema a PCP e BE, deu posse a Passos e fica calado deixando o tempo passar. Cavaco igual a si mesmo.

Cavaco vai regando o jardim com gasolina, tentando criar uma base suficiente para detonar a crise política. Quando regressar a Lisboa, vai encontrar-se com os banqueiros do país. Mas Costa e Centeno estão também no terreno e têm feito contenção de todas as fontes de agitação possíveis. A direita trauliteira e irresponsável confiou que a agitação das bolsas e dos mercados faria a Costa o que fez a Sócrates, mas esse plano fracassou. Agora, insinua que pode manter um governo de gestão, uma vez que ele também esteve 5 meses na mesma situação… em 1987!costa rindo

A perspectiva de manter um governo em gestão comporta riscos tão grandes para o país que não é possível que Cavaco o force. Não por sentido de responsabilidade, como está visto. Vai prolongar a crise política até ficar claro que não a pode manter. Mas já sabemos que a agenda de Cavaco é o próprio Cavaco. Vai ‘impor’ condições que não pode impor. Deixar avisos e orientações que estão fora da sua competência. E virá mais tarde dizer-nos que tinha razão sobre alguma coisa.

Esta demora faz parte desse jogo de forças, vai querer sair por cima da situação. O PS tem sido inteligente na gestão desta situação, com controlo de danos no estrangeiro e com serenidade paciente face ao Presidente. Quanto mais tempo passa, menor é o seu espaço e maior é a legitimidade de Costa. O país é avesso a perturbações. E Cavaco não quer culpas pela  crise do país frágil e periférico que somos ao manter um governo demitido em funções. No final de tudo, é Cavaco quem fala com Cavaco. Valha-nos o seu ego.

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