Um processo disciplinar, se faz favor

José Rodrigues dos Santos decidiu fazer uma gracinha. Acha ele que sabe de humor e por isso nada melhor do que ridicularizar os outros. Pegar em circunstâncias da vida de alguém, ou características físicas e/ou psíquicas de alguém, agitar o preconceito dos outros e obter na gargalhada alheia a conivência e a aceitação do preconceito do autor da graça é táctica brejeira de quem não tem capacidade nem sequer a inteligência para fazer alguma coisa de jeito.

Já sabemos, há algum tempo, que é um propagandista da PAF e um agente de manipulação de factos e números. Quem não se recorda da cobertura tendenciosa que fez da situação da Grécia, em que nos deu uma imagem dos gregos como corruptos e preguiçosos, que só buscavam apenas  mais um ‘subsidiozinho’. Recentemente, fez um exercício de malabarismo político, quando, para defender a acção do governo nestes anos de austeridade, compara dados oficiais de 2011 com ‘previsões’ de propaganda governamental que estavam já na altura ultrapassadas por outros organismos internacionais. A dívida pública, por exemplo, já estava a chegar aos 130% do PIB, mas Rodrigues dos Santos simulava que o valor era mais baixo. jrsantos propaganda

Agora José Rodrigues dos Santos foi mais longe e decidiu fazer um ataque à orientação sexual de Alexandre Quintanilha, número um do PS pelo Porto e casado com Richard Zimmler, um escritor norte-americano radicado em portugal há longos anos.

O esclarecimento da Administração da RTP não satisfaz. Ela nunca admite que foi uma acção propositada, nem faz uma crítica e até branqueia o momento, dando-lhe cobertura. Deve ser óptimo usar de  estupidez brejeira e não ter de sofrer qualquer consequência. No Telejornal de ontem, por lamentável equivoco, decorrente de um erro não intencional, foi referido que o deputado mais velho eleito para o parlamento era uma mulher. Na verdade, esta associação aconteceu porque na peça fazia-se referência a uma mulher eleita pelo Bloco de Esquerda, uma pensionista de 68 anos. O apresentador, quando lançou a reportagem, acreditou que se tratava da mesma pessoa.

Esta resposta não convence ninguém. Quando revemos a prestação de José Rodrigues dos Santos percebe-se que não confundiu coisa alguma. Ele diz na peça ‘O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito, ou eleita, pelo PS’. Ele não disse o deputado mais velho é uma mulher, nem sequer se atrapalhou. Pode-se verificar aqui no vídeo.

Alexandre Quintanilha está a um nível em que Rodrigues dos Santos não pode nunca almejar estar. A sua relação com Richard Zimmler é assunto privado, que não o diminui nem cria confusão de género. Ele já disse que se sentiu insultado e esperava uma reacção de outras forças políticas. A ILGA já emitiu um comunicado com a sua posição. E António Costa também exigiu pedidos de desculpas formais. A RTP, especialmente sendo a estação pública, tem a obrigação de não se deixar arrastar para a sarjeta em que revolve a homofobia deste jornalista. O mínimo que deveria fazer era um processo disciplinar. Para que mais ninguém se sinta à vontade para graçolas cheias de preconceito.

Adenda: Entretanto, José Rodrigues dos Santos deu explicações em exclusivo para o Observador, dizendo tratar-se de um erro que será abordado na emissão seguinte do Telejornal. Mas a resposta não vai além de mencionar um erro na reportagem e o pedido de desculpas pela confusão entre dois deputados, sem nunca se referir à questão. Quem não esteja nas redes sociais, não teria dado por nada por este ‘esclarecimento’ ser mais uma forma do jornalista passar entre os pingos da chuva inimputável.

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