O cagaço da direita

Cagaço

substantivo masculino
[Calão]  Grande susto, medo.
Sinónimos: medo, susto, pânico, xixi, assombramento, assombro, fobia covardia, desvalor, espanto, horror, pavor, poltronaria, receio, comoção, timidez, temor, terror, sobressalto, sobrolho, alarme, 

O cagaço apoderou-se da direita em Portugal. Sentado atrás do ecrã, vi o silêncio dominar na direita portuguesa após as eleições. Alguma coisa acontecera fora do planeado e que abanava o jogo viciado de rotação do poder entre o PS e os partidos da direita. O spin habitual esteve suspenso nas redes sociais, enquanto se refaziam do choque. Mesmo que não dê na reconfiguração completa do quadro político nacional, o debate em curso entre PS, PCP e BE ameaça de tal forma os planos que a direita tinha esboçado e os interesses instalados que não vai ser tolerado. O regime acabara de legitimar os partidos da esquerda como agentes do exercício de poder em Portugal.

Refeita do susto inicial, a reacção. Nuno Melo dá o tiro de partida e chama a isto um golpe PRECiano. Por todo o lado, arranca o spin de novo, em concertação uníssona. Um acordo entre o PS e os partidos à sua esquerda seria perverter os resultados eleitorais. Será legal, é certo. É constitucional, pois claro. Uma coligação pós eleitoral pode fazer-se, mas a esquerda maioritária deve deixar a direita governar mesmo que em posição minoritária…

O desespero de Rui Ramos no Observador é evidente. Chama-lhe fraude eleitoral, simula que as eleições legislativas são a escolha de primeiro-ministros e não de deputados e desenterra os conflitos do PREC, invocando propostas do PCP, que este retirara da agenda no encontro com Costa exactamente para viabilizar a convergência com o PS. Para perverter o sistema político português e na falta de argumentos jurídicos, Rui Ramos invoca a tradição: em Portugal quem fica à frente vence as eleições e tem um mandato para governar. Ainda sem quaisquer condições para o fazer? Sem maioria para aplicar o seu programa ou parceiro extra para cooperar, pode exigir-se o eclipse do PS e dos restantes partidos? A coligação pré-eleitoral sem maioria no Parlamento da Direita vale mais que uma coligação pós-eleitoral com maioria no Parlamento da Esquerda?zemanel fernandes

 O cagaço é grande e da incredulidade passaram ao ataque. David Dinis (sempre no impagável Observador) exige definição. Quer que o PS corresponda ao que esperam dele (vai ser preciso que o PS de António Costa acabe com esta indefinição estratégica e ponha o PS no lugar onde sempre esteve). A eventual recusa deste em cumprir o papel pensado pelos estrategas da Direita para o PS nos cenários desenhados na São Caetano à Lapa significa entrar em águas novas sem cartografia. José Manuel Fernandes também insiste. Após as acusações de inconsistência de Costa (Costa é um socialista mais centrista, mais tradicional ou mais radical? Ele não mostrou o jogo.), faz um pungente apelo ao entendimento com Passos Coelho. E lança a armadilha ao PS, dizendo que a Costa resta aguentar a direita em minoria até ao fim (Numa democracia madura, as legislaturas são para durar até ao fim, pois só assim se pode ter tempo para as reformas).

No Sol, António José Saraiva agita o medo, como se o caos fosse o objectivo de um governo de esquerda a liderar o país. Alega que o investimento pararia, os juros da dívida subiriam (…), tornando a situação insustentável. Isto pode não dar em nada, mas ver o cagaço da Direita já me alegra os dias. Tempos interessantes, muito interessantes…

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