Livre/Tempo de Avançar: voto útil da esquerda

A campanha eleitoral foi esvaziada e tratará de nos entreter com fait divers, gaffes sobre números, manipulação de sondagens e estudos de opinião diárias que simulam a vitória da direita, pressionando-nos a um voto útil sem sentido, enquanto a liberdade editorial se traduz no silenciamento da diversidade política nestas eleições. Os pequenos partidos extra-parlamentares, que vão eleger deputados nestas eleições, são a grande novidade na renovação do regime. Mas tudo parece estar a ser feito para garantir que no dia 4 de Outubro o país ficará igual. André Freire, candidato em Lisboa do Livre/Tempo de Avançar, já denunciou a acção pouco democrática dos média.

As sondagens e os estudos de opinião divulgados são contraditórios e mostram que as projecções são inconsistentes e não são confiáveis, pelo que os resultados são imprevisíveis. Também revelam que PS e direita coligada retêm a maioria dos eleitores e que novos partidos entrarão no Parlamento, embora a dimensão desta mudança seja uma incógnita. Este cenário comporta enormes desafios: a direita sem força para manter a política destrutiva do país; um PS sem maioria e dependente de outros partidos para governar; uma divisão à esquerda entre partidos ocupados com o diagnóstico correcto da situação e a disputa do terreno entre si, mas sem costume de participar na construção de soluções.Cartoon-Maia-1550

Mas este cenário pré-eleitoral é perfeito para PS e PSD. Ambos têm a ambição de governar: o perigo da divisão e da ingovernabilidade do país reforçam o argumento do voto útil. Costa pede a maioria absoluta e a concentração do voto no PS (para evitar a instabilidade) e diz que recusará apoio a um governo minoritário de direita. Portas fala do risco de uma maioria negativa e estéril à esquerda, pois o BE, a CDU e o PS não se entenderão e o país ficará sem governo estável. Passos, ao contrário, simula receio de um governo de esquerda para agitar o papão do comunismo e agarrar os eleitores conservadores. Agora, embalado pelas sondagens que dão vantagem à direita, pede a maioria absoluta – como se acreditasse nisso…

O encontro com a realidade do país não deixa a coligação sonhar com vitória, mesmo que fingem acreditar nisso. O défice, a dívida, o desemprego e a penúria geral do país desmentem a narrativa criada, mesmo que Passos se rodeie de apoiantes para reduzir o contacto com o país real. Não há dia sem Passos encontrar um firme repúdio popular, desde os lesados do BES, aos reformados sovados por impostos e aos anónimos chocados com o primeiro-ministro. A mais célebre opositora, a senhora de cor-de-rosa, tornou-se uma estrela nas redes sociais. E ainda ontem no mercado de Setúbal se ouviu sonora indignação.

Para que tudo fique nas mãos dos partidos que nos conduziram ao desastre, os eleitores têm de acreditar no empate e mobilizar-se em redor do voto útil. O tal voto útil é na verdade inútil, pois apenas nos prenderá mais anos ao rotativismo apodrecido e sem alternativas políticas para o país. Portugal já experimentou todas as soluções de governos e coligações entre PS, PSD e CDS e nenhuma deixou boa memória. É por isso que a proposta de convergência entre forças para fazer da maioria social e eleitoral um governo de esquerda se tornou central. A iniciativa do Livre/Tempo de Avançar foi sempre ridicularizada, mas é agora adoptada por outros partidos. E isso é já uma primeira vitória deste movimento. Resta saber com que nível de seriedade esta adopção se faz.Ana Drago2015

Claro que um Parlamento bloqueado e sem maiorias pode forçar a realização de novas eleições pouco depois. Até hoje, os eleitores de esquerda foram votando no PS para eleger um governo (e sentiram-se enganados com o que o PS faz no exercício do poder sozinho), ou votaram nos partidos da esquerda, para ver o seu voto retido numa oposição permanente, que nunca chega a aplicar o programa que apresenta. Mas após estes terríveis anos de austeridade, ninguém nos perdoaria que não fizéssemos da maioria do dia 4 de Outubro uma oportunidade para desbloquear as relações da esquerda e a resolução dos problemas dos portugueses.

É por isso que o voto no Livre/Tempo de Avançar é um voto útil! Com o grupo parlamentar do Livre/Tempo de Avançar, chega uma força política ao Parlamento preparada para lutar contra as medidas e os sacrifícios da austeridade, que sabe que o sucesso dessa luta pode passar por assumir o risco de governar ou de apoiar soluções de convergência. Quanto maior for o grupo do Livre no Parlamento, maior a capacidade de influenciar o PS e CDU e BE sobre a urgência em começar uma nova fase da vida política portuguesa. No dia 4 de Outubro, não se pode ficar no sofá a ver a mudança a passar. Útil é votar Livre!

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