O golpe fatal

O que nos diz hoje a notícia do Público? Aquilo que já todos nós sabíamos. Passos e a pandilha queriam o recurso ao FMI, exigiram o recurso ao FMI, precisavam do recurso ao FMI. Como as hienas que espreitam a oportunidade, aproveitaram a crise do euro para ‘ir ao pote’  mais cedo do que inicialmente esperavam. O PSD viu a grande chance de rebentar de vez com o Estado Social e com o regime saído de Abril e não hesitou. Mesmo que à custa da nossa independência e das nossas vidas.

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Por todo o lado, vinham pressões sobre o governo. No dia 1 de Abril, o dia em que faz a promessa de não cortar o 13º mês, Passos apoiava um pedido de intervenção externa, seguido por Portas que afirma o mesmo. A 4 de Abril, os banqueiros faziam declarações e reuniram com o PSD e o Presidente da República, a ‘mão por trás do arbusto’ que agitou a crise que ainda vivemos. Finalmente, surgiu o ministro Teixeira dos Santos com declarações no mesmo sentido.

Com os defeitos que lhe podemos imputar, Sócrates lutou até ao fim para impedir isto. Para sobreviver ele próprio politicamente? Claro. Mas era visível na declaração que fazia a 6 de Abril que ele sabia que a catástrofe se abatia sobre o país. Teixeira dos Santos é usado pela Direita com frequência para corroborar a culpa de Sócrates e fazer uma cortina de fumo sobre as suas próprias responsabilidades. Mas também ele já lembrou que as condições de financiamento ligadas ao PEC IV nos deixariam nas condições de Espanha: com exigência de austeridade, mas sem controlo externo e com autonomia quanto às medidas a aplicar.

Desde 2009 que o PSD insistia no tema do endividamento externo do país e Cavaco não devia estar longe desta manobra. Nem no que respeita à estratégia, nem no que respeita à informação de que o PSD dispunha. ‘Há limites para os sacrifícios que se podem pedir aos portugueses’, agitava o Cavaco na sua tomada de posse. O que era preciso? Primeiro chumbar o PEC 4, com recusa de austeridade. O uso do bloqueio do Parlamento era essencial, fechando ao PS a porta a acordos à direita. Depois, garantir que seria o PS a assinar o pedido de intervenção externa e a ficar responsável pela situação. Uma vez no Governo, o PSD avançaria com ‘reformas estruturais’. Liquidado o Estado Social, era essencial avançar com o princípio do ‘direito de escolha’ na saúde e na educação. Há quantos anos anda Passos a tentar mudar a Constituição?…carta passos

Isto não iliba o PS, que se deixou tomar por um mitómano e não foi capaz em quarenta anos de democracia de ultrapassar os bloqueios à esquerda que ajudou a criar. Sistematicamente governando contra o seu próprio eleitorado, à direita do seu próprio eleitorado, o PS em maioria comporta-se despoticamente; e em minoria, entrega-se nas mãos do PSD e do CDS. Quando um mitómano encontra um outro, escrevem-se cartas como a que o Público nos mostra e o desfecho é inevitável.

O que nos diz afinal a notícia do Público? Que a coligação deve ser corrida de vez, que a mentira não pode subsistir como prática base da política. Que é preciso que esta maioria social que a Esquerda já representa se transforme numa maioria política. Que a única forma de o fazer é reforçar os partidos que à esquerda do PS se mostrem empenhados em criar pontes e viabilizar essa maioria política. Para que esta direita fique na oposição durante muitos e muitos anos.

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