Razões de uma candidatura

Quatro anos de devastação. Quarenta anos de bloqueio.

Chegada ao poder, a Direita mais retrógrada que alguma vez nos governou decidiu aproveitar a estupefacção social com a crise para se vingar de Abril. Encetou um ajuste de contas, caucionado por organizações internacionais, que prometia não deixar uma pedra erguida das imensas conquistas sociais e civilizacionais que gerações de portugueses ofereceram ao país com o fruto do seu trabalho. Democracia. Direitos Civis. Saúde. Educação. Emprego. Segurança Social. Longevidade. Paz.

Primeiro culparam-nos, tínhamos vivido acima das nossas possibilidades. A culpa era dos reformados, porque recebiam reforma – e no futuro os outros não a teriam. A culpa era dos empregados, porque ainda tinham emprego – e havia muitos sem ele. A culpa era dos funcionários públicos e dos trabalhadores das empresas públicas, porque tinham estabilidade laboral – que privilégio é esse? A culpa era da indolência, porque não saíamos da nossa zona de conforto – porque não emigrar? A culpa era dos pobres, porque nos consumiam os recursos com salários mínimos, rendimentos mínimos – porque não são eles empreendedores? O governo quis trazer-nos guerra a todos e para nos vencer lançou a guerra entre nós.

já os lixámosDepois, paralisaram-nos, não haveria qualquer outra alternativa a não ser viver em regime de austeridade perpétua. Montaram a máquina, transferindo rendimentos das famílias para o Estado, do Estado para a banca, da banca para os credores internacionais. A sociedade, aturdida com o impacto da pancada, quis acreditar na expiação do pecado como via para a salvação. O espectáculo mediático criado pela visita periódica dos técnicos da troika ofuscava durante algum tempo o reforço dos poderosos. Nos bastidores, emergiam novos milionários todos os dias. E milhares de portugueses emigravam, enquanto outros mergulhavam na insolvência e na pobreza envergonhada.

E a banca, onde todo este problema germinara? Era de confiança, asseguravam. Era preciso salvá-la, à custa das famílias se preciso fosse. E as parcerias público-privadas? São contratos, é preciso respeitá-los, mesmo que sejam ruinosos e façam derrapar a vida colectiva. E as empresas do Estado? Privatizem-se, especialmente as que dão lucro e têm rendas asseguradas. Sector a sector, estes quatro anos serviram para desarmar o Estado português, desbaratar património, desmantelar serviços públicos, tornar privado o que era de todos. Milhares de desempregados e de novos pobres são a herança pesada de quatro anos de devastação. E o azedume paralisado. E a sensação de impotência, a desistência, a resignação. O divórcio entre cidadãos e política.

E o que faz a Esquerda perante isto? Reproduz o modelo que opera há 40 anos: disputa o território entre si, troca acusações mútuas, prepara-se para desempenhar o papel rotineiro e inconsequente no rotativismo ao centro que nos vai sufocando o país. Quarenta anos de bloqueio, passados entre declarações de princípio e protesto do lado de fora da governação: a Esquerda tem responsabilidades a que não pode fugir mais.

Escolher candidatos2É por isto que me candidato.
Porque o Livre/Tempo de Avançar lança um desafio à Esquerda para que se entenda e apresenta uma Agenda Inadiável para criar essa plataforma – e eu quero fazer parte desse processo de mudança.
Porque o Livre/Tempo de Avançar assume a coragem e o risco de procurar governar – e
eu não quero ficar instalado no lado seguro da política.
Porque o Livre/Tempo de Avançar não quer ser muleta de ninguém, mas não tem a pretensão de poder governar sozinho – e
eu quero apoiar uma alternativa de esquerda inclusiva.
Porque o Livre/Tempo de Avançar sabe que não basta ganhar eleições, é preciso ganhar as pessoas de novo para a política – e
eu quero estar no rejuvenescimento da democracia portuguesa.
Porque o Livre/Tempo de Avançar quer aprender com o passado e meter as mãos na massa sem sectarismo – e
eu esperava há muito tempo por uma força política que tivesse esta coragem e esta clareza.

Até ao dia 21 de Junho, 400 candidatos e 8.000 eleitores podem fazer nascer uma vida nova na política nacional. Vem conhecer os candidatos no teu círculo, vem fazer parte da mudança!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s